MATRIZES CULTURAIS EUROPEIAS

 

DIREITO À VIDA

O assunto remonta há muitos séculos atrás desde que o Cristianismo mudou o seu ponto de vista acerca de assuntos como a poligamia (consta que já foi permitida) e entrou em “colisão” com as ideias de algumas outras religiões.

Na nossa opinião é um tema importante e actual pois a Igreja Cristã é um dos grupos mais poderosos do mundo fazendo assim todo o sentido estudar as suas reacções a assuntos tão controversos (embora não tanto neste século) como estes.

Para compreender toda a dimensão do trabalho apresentamos a contraposição das ideias Cristãs às Judaicas e Islâmicas sobre estes mesmos assuntos.

A nossa metodologia de trabalho foi baseada sobretudo na Internet, mas consultamos também livros e documentos fornecidos pela professora. Porém não efectuamos pesquisa em jornais.

 

ABORTO

A prática do aborto sempre foi proibida pelo Cristianismo, desde o seu início que é considerada como imoral e bárbara. A posição Cristã era muito dura em relação ao aborto, a qual era considerada moralmente equivalente ao assassínio. Hoje em dia, a posição Cristã segue o chamado Código de Direito Canónico, assinado em 1398. No entanto é um pouco mais tolerante, mediante as razões da sua prática.

O aborto é um tema que provoca opiniões diversas, e isso é provado mediante as diferentes visões de diversas religiões, mesmo algumas delas partilhando bases religiosa idênticas, por exemplo na perspectiva Judaica, “o feto ou embrião não possui o estatuto de “pessoa” antes do nascimento”, sendo possível mediante o pagamento de uma taxa obter a absolvição…

O islamismo apenas permite o aborto quando a vida da mulher está em risco, no entanto é permitida a prática até aos 120 dias da gravidez, pois durante esse período o valor da vida do feto é equiparável ao de um animal.

O Hinduísmo proíbe completamente a prática, defendendo que a vida humana está acima de tudo, no entanto desde 1970 que o aborto tem vindo a ser usado como método contraceptivo ou para escolha do sexo do feto, isto levou à intervenção do estado Indiano ao criar em 1994 leis que protegessem o Feto.

 

Cristianismo VS Islamismo/Judaísmo 

O Catolicismo desde o século IV condena o aborto em qualquer estágio e em qualquer circunstância, permanecendo até hoje como opinião e posição oficial da igreja católica.

A igreja proíbe o aborto em qualquer fase, pois considera que é um ser humano desde a concepção, passado a alma a pertencer ao novo ser no preciso momento do encontro do óvulo com o espermatozóide logo, praticando o aborto põe em causa o mandamento contra o assassinato. A punição destinada pela igreja católica aos praticantes é a excomunhão. Provendo essa “pena” em 1917 a Igreja declarou que uma mulher deveria receber a excomunhão pelo pecado do aborto. Isso significava que lhe seriam negados todos os sacramentos e sua comunicação com a igreja: uma punição eterna no inferno.

Depois ainda, em 1930, ficou determinado que o direito à vida de um feto é igual ao da mulher, e qualquer medida anticoncepcional foi considerada um crime excepto os métodos que estabelecem a abstinência sexual para os dias férteis.

O nosso trabalho aborda o ponto de vista do Cristianismo acerca de assuntos como o aborto, os contraceptivos e a poligamia e comparar com os pontos de vista do Judaísmo e Islamismo, pois a diferença de opiniões poderá gerar rupturas.

Como curiosidade podemos relembrar também que há uma distinção entre sexos, pois, segundo as suas crenças: a teoria da animação tardia, a alma só entraria no corpo da criança 20 dias após o parto, usando uma particularidade, que é o facto da alma feminina demorar mais para entrar no corpo (40 dias), permitindo ao judeu pensar um pouco mais se vale a pena manter uma menina.

 A posição do Cristianismo quando se trata da legalização do aborto origina um debate secular, o qual é melhor descrito em tons de cinza e não como normalmente representado por ambos lados: um assunto como preto e branco, com apenas uma razão. Na verdade, os argumentos religiosos não mudaram muito ao longo das últimas décadas, simplesmente cresceram em volume e intensidade.

 

Ponto de vista Social/Político

Esta fase de conhecimento do Homem não permite aos formados nas diferentes áreas, como medicina, filosofia e teologia, chegar a qualquer consenso acerca desta discussão, tendo muitos dos que se opõem, no entanto, trabalhado para desenvolver a definição de vida, cientifica e medicamente, da maneira como a interpretam sendo que os apoiantes defendem o direito de escolha das mulheres, e não do estado!

Argumentos bíblicos parecem ter perdido força, havendo no entanto sempre quem dispute o significado das poucas passagens bíblicas que estão perto de serem relevantes. Tendo a Igreja Cristã o salmo 139 como prova que o feto é um ser humano desde a concepção: “tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe”.

Tal, não está minimamente ajustado à realidade social e politica de Portugal pois o referendo ao aborto 2007, onde este é permitido sob determinadas condições, demonstrou como num país maioritariamente cristão (cerca de 90%) devastou a Igreja devido à emancipação das mulheres, vexando-a com a conquista dos seus direitos de liberdade votando, e levando o SIM a uma vitória impensável perante a moral cristã e o sexto mandamento.

 

CONTRACEPÇAO

Em relação ao uso de métodos contraceptivos, a doutrina Cristã, a partir do Vaticano, defende uma posição severa e extremamente conservadora. O uso dos mesmos é completamente proibido, mesmo estando em causa a vida humana, um dos principais focos de divergência é a proibição do uso do preservativo para impedir a transmissão do HIV.

Contudo, existem núcleos, dentro da comunidade Cristã que são menos extremistas e defendem o uso de métodos contraceptivos, não só para a protecção da vida humana mas também como forma de planeamento familiar, apesar de diferentes opiniões dentro do meio Cristão, o Vaticano tudo faz para proibir o seu uso.

 

Cristianismo Vs Islamismo/Judaísmo

Em relação ao uso de métodos contraceptivos, a doutrina Cristã, a partir do Vaticano, defende uma posição severa e extremamente conservadora. Mas nem sempre foi assim… A Igreja Católica manteve posições pouco claras sobre a contracepção prolongou-se por um grande período. Só a partir do último quarto do século XIX a luta da Igreja contra a anticoncepção se intensificou, principalmente para se opor à posição mundial de controlo da natalidade.

No século XX, na encíclica Casti Connubii (1930), o Papa Pio XI afirmava que os casais que realizavam a contracepção praticavam a “liberdade criminosa”, “evitavam o fardo, mas desfrutavam das alegrias” e que não havia motivo que justificasse a contracepção. A partir dessa encíclica, coloca-se claramente que, em nenhuma circunstância, seria permitido evitar a concepção (9:309). Na Humanae Vitae, Paulo VI estava preocupado com a infidelidade conjugal e atribuiu à contracepção o incentivo a tal prática.

João Paulo II, em Familiaris Consortio (1981), recomenda o método do ritmo, porque somente este respeitaria o ritmo biológico da mulher, o diálogo, e a responsabilidade comum do domínio de si. Ainda hoje, a Igreja utiliza-se de justificativas para se posicionar contrária à contracepção, argumentando que esta muda as finalidades do casamento, induz ao adultério, frustra a natureza e leva os homens a perderem o respeito pelas mulheres.

Em Junho de 2006, o Vaticano divulgou o documento Família e Procriação Humana, publicado pelo Conselho Pontifício para a Família, condenando o uso de qualquer método anticoncepcional.

No Bíblia não proíbe a contracepção. A contracepção, por definição, é meramente o oposto da concepção. Não é o acto da contracepção em si que é certo ou errado. É a motivação por trás da contracepção que determina se esta é certa ou errada.

Se uma pessoa pratica a contracepção porque quer ter mais para si mesmo, então é errada, no entanto se está a praticar a contracepção para temporariamente deixar de ter filhos até ser mais madura e mais preparada financeira e espiritualmente, então é, talvez, aceitável o uso da contracepção por algum tempo.

Mais uma vez, tudo é questão da motivação. Em relação ao que é dito pelo cristianismo o livro Romanos contém:

“ As relações sexuais entre marido e mulher são uma dádiva de Deus. Mas a procriação não é seu único objectivo. As relações sexuais também permitem ao casal expressar amor e carinho um pelo outro. Portanto, caso o marido e a esposa decidam evitar a possibilidade de gravidez usando algum método contraceptivo, a escolha é deles, e ninguém deve condená-los por isso.”

Romanos 14:4, 10-13

Em relação a este assunto tanto o Islamismo como o Judaísmo, tal como o Cristianismo, são completamente contra.

 

POLIGAMIA

A Poligamia na Cristandade não é permitida, no entanto é praticada, pelo simples facto da existência de relações extra conjugais. Pode parecer estranho, mas em Países onde a Poligamia é permitida e aceite, são mais raros os casos da sua prática, isto se a traição for considerada um tipo de poligamia. No inicio da era cristã a poligamia era frequente, assim como o era no Judaísmo e no islamismo, mas a mudança de pensamento deu-se quando o cristianismo foi introduzido em Roma como religião reconhecida pelo império.

Para facilitar a introdução dos hábitos cristãos, foi necessário adaptar o Cristianismo ao estilo de vida romano, e, como em Roma apenas era moralmente aceite o casamento entre um homem e uma mulher, apesar das traições constantes, o Cristianismo passou de apenas a aconselhar a monogamia para passar a condenar a poligamia. No Islão, não em todos os Países, a Poligamia é aceite, mas o acto de traição ou relações extra conjugais é completamente condenado.

No Judaísmo, a poligamia também era prática corrente mesmo em território Europeu, até meados do século XVI, a partir dessa data com as revoluções sociais instauradas na Europa essa prática foi abolida, no entanto só com a criação do estado Judeu, Israel, é que a prática foi proibida no meio Judeu, mas apenas porque a constituição de Israel não o permite.  

Cristianismo Vs Islamismo/Judaísmo

Actualmente o Cristianismo, ao nível da poligamia diverge de outras religiões com a mesma base histórica, como o Islamismo e o Judaísmo. O Cristianismo procura manter uma posição forte no combate contra a poligamia, dando uma visão negativa dessa prática. Esta visão é defendida segundo a perspectiva do Vaticano em relação às palavras da bíblia, que se referem à união do Homem e da Mulher como: “dois numa só carne”.

No entanto esta prática é moralmente aceite noutras religiões como o Islamismo, onde o Homem pode casar-se com várias mulheres ao mesmo tempo, neste caso é perfeitamente natural e em certas ocasiões recomendado o Homem procurar esse tipo de ajuda, muitas vezes com o intuito de salvar o seu casamento, portanto a prática da poligamia é compreendida como uma atitude para salvaguardar a vida conjugal e ao mesmo tempo permitir uma coabitação saudável entre os conjugues. O que não é permitido neste caso é a infidelidade entre casais, aqui sim, a condenação moral é grande e pode incorrer a penas judiciais, em casos extremos à própria pena capital, ou seja, pena de morte.

No caso Judaico, a poligamia não sendo combatida pela entidade religiosa em si, já não é uma prática entre os crentes, muito por causa das leis do estado Judaico, Israel, que apenas permite a monogamia na sua Constituição. No entanto, esta pratica foi recorrente em diversas eras do Judaísmo.

Uma das grandes divergências entre a posição Cristã e a posição Islâmica são as suas interpretações do antigo testamento, para o Cristão o homem e a mulher apenas podem viver em harmonia e dedicação entre os mesmos se o matrimónio for respeitado por ambos os lados, a partir dai a possibilidade da adesão à poligamia cai por terra, pois segundo esta visão iria prejudicar a vida conjugal, contribuindo assim para o aumento do divórcio, o qual é visto como um pecado.

Além disso, mesmo hoje em dia o divórcio não é reconhecido pela igreja, por isso se um homem ou uma mulher se voltarem a casar estarão a consumar o adultério para a eternidade.

A posição Islâmica, acredita que a Poligamia pode ser benéfica, no entanto são cada vez mais raros os casos concretos nos quais um indivíduo possui várias mulheres, além disso apenas o Homem pode desposar múltiplas mulheres, pois consideram que o homem é um ser Poligâmico e a mulher um ser monogâmico. O Islão acredita que a possibilidade de um homem casar-se com várias mulheres (no máximo 4 mulheres para cada homem), vai impedir a existência do adultério.

Neste ponto existe outro ponto de discórdia, sendo o Mundo Cristão acusado de defender a monogamia, mas praticando o adultério e a infidelidade constantemente, portanto apoiam a sua defesa neste aspecto. Por outro lado o Cristianismo, acusa o Islão de ser permissivo com a prática da poligamia, que o reconhece como sendo um direito do Homem e não um pecado.

 

No século XXI, a influência da igreja Católica no chamado Ocidente vai perdendo um pouco da sua força no quotidiano da população em geral. Existem várias razoes para isso acontecer, as mais importantes serão ao nível da igualdade dos direitos do homem e da mulher, da prática do aborto, uso de métodos contraceptivos, no entanto uma das ideologias que são partilhadas por ambas as partes, pelo menos na teoria, é a defesa do Monogamia, é talvez um dos pontos mais concordantes entre a Sociedade e a Igreja, pois ambas as partes possuem uma visão tradicional do que é o casamento, e concordam que a prática da poligamia só poderá trazer divisão no seio do casal e infelicidade para os intervenientes.

 Ponto de vista Social/Político  

 

 

No entanto, a Sociedade ocidental é bastante conhecida pela prática do adultério, e mesmo os que se dizem Cristãos devotos, não seguem esta ideologia, pois muitas vezes são eles os próprios a cair neste acto. Portanto, pode-se pensar com os exemplos referidos, que a população em geral defende a poligamia, só não concorda se for oficial e autorizada. Sendo a Poligamia completamente rejeitada pela Sociedade, então como se explica o recurso a infidelidade e à traição? – Isto leva-nos a deduzir que a Poligamia faz parte do Ser Humano, talvez seja a procura de satisfação a vários níveis, quer emocionais como sexuais.

Mesmo dentro da Igreja Cristã não faltam casos de sacerdotes, monges ou subordinados ao longo da história que praticaram a monogamia constantemente, alguns deles com múltiplos parceiros, e mesmo assim continuaram a praticar e a representar a “Cristandade”.

 

Nos dias de hoje há muitas religiões que se contrapõe ao Cristianismo, tendo um especial destaque o Islamismo e o Judaísmo.

 

CONCLUSÃO

 

 

O cristianismo é uma religião monoteísta baseada na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, tais como estes se encontram recolhidos nos Evangelhos, parte integrante do Novo Testamento. Os cristãos acreditam que Jesus é o Messias e como tal referem-se a ele como Jesus Cristo. O cristianismo é hoje a maior religião mundial, sendo a predominante na Europa, América, Oceânia e em grande parte de África e partes da Ásia.

O judaísmo é a primeira experiência de fé num único Deus. Para os judeus, que esperam ainda a vinda de um Messias que os salvará, Deus é o criador, revelado sucessivamente pelos patriarcas Abraão, Isaac e Jacob, por Moisés (que libertou os judeus da escravatura do Egipto) e pelos profetas.

 


Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

 
Follow

Get every new post delivered to your Inbox.

%d bloggers like this: